terça-feira, 31 de julho de 2012

Perdoa-me, poesia

Meu coração é uma gaveta cheia de puxadores
Meu coração é gaivota cheia de puxadores
Meu coração é uma gaveta
Meu coração é gaivota vazia, cheia de puxadores
Puxa dores dentro das minhas gavetas






IMAGÉTICA





Meu faro é que vai combinar mais a Judite ter cabelo longo, mas caso eu precisasse cortar... amo a classe, a beleza e o ar despretencioso do cabelinho da lendária Louise Brooks. Me inspiro também na ruivice sexy de Juliane Moore, no caráter dramático e intenso dos quadros de Klimt e na maravilhosa Rita Haiworth. A outra é uma modelo que tem um quê romântico que acho bacana pra personagem.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A BLUSA DE JUDITE


No último encontro do elenco levei uma blusa preta de bolinha branca, cache-coer (envelopada), que tem um estilo meio anos, 50, a década em que a história do "Perdoa-me" se passa. Farjalla e eu concordamos que ela é uma mulher chique e usa elementos inpirados em um clima meio Coco Chanel, mas sempre com um toque de modernidade ou releitura, como a foto da modelo ruiva de blusa de pois.



A CAIXA, O BATOM E O PERSONAGEM

O diretor Farjalla pediu que cada ator trouxesse uma caixa com jeito de mala pra ir colocando objetos do personagem pra iniciar o processo de construção. Mesmo antes dele pedir comprei um batom vermelho pra Judite. A idéia de que ela usa sempre este elemento se impôs no meu pensamento e eu cedi. O tom dos cabelos, um castanho avermelhado, eu ainda estou testando. Estamos finalizando a etapa de leitura de texto, mas ainda me sinto bem distante de quem é essa mulher... Tento não pensar muito nisso, pois embora eu saiba racionalmente que existe um processo, me sinto muito ansiosa de só conseguir enxergar essa mulher de forma bem turva, de batom vermelho. A mala que eu quero ainda não encontrei, estou buscando em brechós e lojas de antiguidade. Adorei a idéia de colocar a Judite dentro de uma mala e tirar ela de lá, pra montar e vestir este personagem. Como tenho uma auto-crítica muito forte e uma ansiedade maior ainda, tem horas (como agora) que me sinto uma fraude completa e que nunca vou saber direito quem é esta mulher. Mas sigo em frente...






quinta-feira, 26 de julho de 2012

Começando pelo eterno deus MUDANÇA

Entro na sala da Cia Guerreiro e o diretor me diz de chofre: "Posso te falar uma coisa, você não vai ficar chateada? Eu quero você fique magra e que escureça os cabelos pra ser a protagonista da peça." Topei em um mixto de preocupação e euforia. Há tempos já estava louca de vontade de mudar a cor dos cabelos mas não tinha coragem. Com certeza isso me impulsionou. Adoro mudar. Minha tensão é que nasci loira e sempre fui assim a vida toda. E amava ser assim. Marquei o salão e mudei. Tremi de ansiedade na cadeira do meu cabeleireiro, mas banquei. Cheguei tão segura, que com poucas palavras, séria e decidida eu convenci ele rapidamente: "Vou ter que mudar por causa da minha personagem. Tem que ser uma cor sóbria porque é Nelson Rodrigues". Ele ainda perguntou se eu ia querer voltar pro loiro. "Não, quero mudar pra mudar", respondi. Só lembro de ter dito que não queria castanho claro de cor de todo mundo que tinge e queria escuro sem ser preto. Corta daí pro meu pai levando um susto quando me viu castanha escura. Não me abalei porque eu amei. Minha mãe também achou escuro (claro, a vida toda fui quase sempre platinada e nasci quase albina). Mas quando a gente se gosta a tendência é o mundo gostar. E foi o que aconteceu. A maioria gostou, quem não gostou eu consolei, tipo: (com voz aveludada) "Tá tudo bem, tá? Eu sei, eu sei...mas eu adorei, tá?). Sobre emagrecer, bem... preciso muito perder ao menos uns 20 kilos, mas isso é um caminho, quem dera fosse fácil como trocar a cor das madeixas... mas vamos que vamos!



Achei que meu olho (que sempre achei um pouco pequeno pro que se considera ser o olho expressivo de uma atriz) foi realçado pela mudança de cor do cabelo. De super loira pra castanho chocolate! Seja bem-vinda Judite!