Começando pelo eterno deus MUDANÇA
Entro na sala da Cia Guerreiro e o diretor me diz de chofre: "Posso te falar uma coisa, você não vai ficar chateada? Eu quero você fique magra e que escureça os cabelos pra ser a protagonista da peça." Topei em um mixto de preocupação e euforia. Há tempos já estava louca de vontade de mudar a cor dos cabelos mas não tinha coragem. Com certeza isso me impulsionou. Adoro mudar. Minha tensão é que nasci loira e sempre fui assim a vida toda. E amava ser assim. Marquei o salão e mudei. Tremi de ansiedade na cadeira do meu cabeleireiro, mas banquei. Cheguei tão segura, que com poucas palavras, séria e decidida eu convenci ele rapidamente: "Vou ter que mudar por causa da minha personagem. Tem que ser uma cor sóbria porque é Nelson Rodrigues". Ele ainda perguntou se eu ia querer voltar pro loiro. "Não, quero mudar pra mudar", respondi. Só lembro de ter dito que não queria castanho claro de cor de todo mundo que tinge e queria escuro sem ser preto. Corta daí pro meu pai levando um susto quando me viu castanha escura. Não me abalei porque eu amei. Minha mãe também achou escuro (claro, a vida toda fui quase sempre platinada e nasci quase albina). Mas quando a gente se gosta a tendência é o mundo gostar. E foi o que aconteceu. A maioria gostou, quem não gostou eu consolei, tipo: (com voz aveludada) "Tá tudo bem, tá? Eu sei, eu sei...mas eu adorei, tá?). Sobre emagrecer, bem... preciso muito perder ao menos uns 20 kilos, mas isso é um caminho, quem dera fosse fácil como trocar a cor das madeixas... mas vamos que vamos!

Achei que meu olho (que sempre achei um pouco pequeno pro que se considera ser o olho expressivo de uma atriz) foi realçado pela mudança de cor do cabelo. De super loira pra castanho chocolate! Seja bem-vinda Judite!
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